21.12.09

Frio como sempre, decidi não gostar mais por nada sem valor. Não. Não forçar mais. Não tolerar só pelo prazer dos outros. Não esperar os sorrisos comprados ao valor do velho peixe. O valor é meu e o que posso juntar ao meu lado como bom. O valor é meu e de quem estiver ao lado. Sejamos sinceros. Sejamos reais.

10.12.09

9.12.09

Elefantes

Sonhava com elefantes. Quatro. Entre as colunas gigantes que sustentavam o céu, três seguiam ao lado de quem os comandavam. Obedientes e limpos. Logo atrás da ala pomposa, ela e seu elefante. Outra raça, nem tão inteligente, nem tão obediente. Insistia em segui-la ou simplesmente desviar-se e não andar a seu lado como era o costume. No final do caminho que era preciso percorrer por necessidade era a montanha íngreme.
No final do caminho o corredor entre colunas se alargava e se estendia. O final do caminho nunca chegaria.

10.11.09

...!

***
Ela luta para manter-se


totalmente superficial

sempre descontínua e recortada

Ela só molha os pés.
***

1.10.09

deve ter um milhão de anos.

Eu não faço a mínima ideia
porque sou um idiota erudito
eu te vejo amanhã no mesmo horário
e agradeço pela audiência
porque perderemos o caminho
e volto sempre pelo mesmo lugar
preciso de mais tempo
preciso de mais espaço
porque nada é específico

Eu não faço a mínima ideia
porque o que se vê é o fluxo
que horas são quando o relógio para?
onde estamos quando régua não marca?
eu volto sempre pelo mesmo lugar
no conforto de estar aqui agora

que nome te dão quando você precisa dormir?
quantos anos eu tenho quando estou sozinho?

Eu não faço a mínima ideia
porque não vi o filme
e não me surpreendi
com o vermelho
nem com o
tiro
que ri do
lento caminhar
do nosso deserto
recém movido para cá.
Porque o que se vê é o fluxo!

22.8.09

Schedule

Schedule.. nova música... http://www.myspace.com/ddanielmmiranda

Let the body exude all those strange

Liquid words.

Let me exhume your ancient splashed

Dream. And bid your soul chant and old

Meaningless childish song…

…For life is used to crumbling

Sometimes.

22.6.09

refluxo de hiato

A certeza de que de vez em quando não vale a pena... Em todo o caso por que é que o dia tem vinte e quatro horas a partir de agora? A primeira vez que cada um de nós por toda a parte tinha os olhos tapados toda a nossa vida num estado de sítio
Uma vez por outra Uma vez que não As pontas dos dedos do outro lado no meio da sala com a poltrona de veludo sei que é você a única coisa que de um lado para toda a minha vida em que se encontra em sempre um contato
Mal não faz mal mas não quero dizer com um ar de condenável em qualquer circunstância as mãos nos bolsos com os olhos... com os olhos cerrados ou com os olhos cravados no entanto definitivamente com os olhos baixos com a cabeça baixa num canto do sofá com os punhos fechados
Diga me uma coisa Com as palavras de dentro de mim mesmo a sua humildade é a marca da possibilidade de sua troca na manhã seguinte? Não é o que eu era
Eu não podia eu não tinha lá por toda a parte a minha casa de silêncio onde de um mistério uma coincidência significativa abriu a porta da minha infância de meu velho lugar sobre os ombros Não tenha medo dos braços abertos dos braços ao ar porque é com as mãos em voz alta por onde se faz a volta

16.6.09

gomutrika quebrado

do

ro

mos

tua

nós

ce

me

da

a

sin

tra

do

los

ção

gra

ça

pe

can

san

for

dos

la

tos

10.6.09

vendo um sol

as letras que eu uso tem tanto barulho
que eu nem entendo. meu lá tem
música com tanto dó que
nem ouço o que diria. E se eu fosse
menos cacofórico, ainda ser.e.ia disfônico?

5.6.09

Quase isso.

Parece que foi ontem. Nasceu. Nem meu. Nem bem quis, nem mal teve. Seguiu. Num psiu, abaixou para que passássemos. Abriu as asas imensas. Tão maiores que a imagem. Assombro de apagar as luzes e fechar as portas. Apagam-se as luzes. Escombro. Escape. Ex qualquer coisa. E as asas gigantescas e o movimento do ar. Se tem amor, são traças nas pontas das penas. Desabou. Logo ali no sopro do tempo. Brisa de tombar pelos num arrepio quase bom.

9.5.09

Gomutrika II - linhas e tranças

d i s

t e n

d o

m e

d o

m e u

m u n

d o

a

p o n

ta

m e

u m

co

lo

s ó

1.5.09

gomutrika - linhas e tranças

ten

tei

es

ta

sor

te

a

ma

do

tan

tas

gen

tes

30.4.09

escadas

A menina escurece
O tempo cai
O dia dorme
O muro resiste


A menina cai
O tempo dorme
O dia resiste
O muro escurece


A menina dorme
O tempo resiste
O dia escurece
O muro cai

19.4.09

Um jeito meio que desmanchado de andar
com pés tortuosos se alastra em desmantelo
trança de coxas encharcadas quase dança
quase um tango solto no jardim lá de casa
quase distração
e garrafas cheias
!
qual som
?

3.4.09

GRACIAS!

tentando forçar umas passagens
no sorriso aliciante - desenho
assim meio cerrado meio
vicioso fechado em parênteses
é reflexo condicionado em sépia
blefe sincero e causa feroz
de estar aqui

20.3.09

e depois.

Olhos fixados no portal

Elipse de linhas inchadas

Entreabrem-se

Desde f: seu ponto

Superior

A experiência do sabor circular

Colidindo-se - Tangentes

Do suor entre as gotas focais

Do entendimento líquido

Em sua arquitetura interna

Plasticidade das fronteiras

13.3.09

enquanto isso...

Vermelho rugoso de brilho escorregadio
Lá perto das montanhas tímidas
por trás dos edifícios

9.3.09

O vagabundo no espelho me espreita.
De soslaio constrói um rosto conhecido
Claro. Sem névoa nem treva lenta nem densa.
Nada me cerca. Só a ameaça do vidro
Limpo, me estapeia de través.
A brancura intensa diagonaliza o mundo
Alfineta-se nos olhos sem sangrar
Nada me escorre. Nem a ameaça do vidro.


Os outros quartos são também de espelhos
Feitos desse fogo. Sabe esse sem cor que se alastra?



O vagabundo no espelho da minha íris
Incha meus olhos.


Vê, amor? deixa eu te sujar dessa imundíce...! desse branco!

8.3.09

...

Num baixar de cílios as pálpebras tremem
Leva a mão estrelada até a tensão da virilha
Lábios salivados vestidos com um sorriso
complacente
Sempre a nudez das coxas e as curvas alheadas
Dos pés feridos

26.2.09

tea party

Draw 2 parallel lines

Extend them in perspective

Until they meet each other


Is that a date?

17.2.09

anthologia graeca - Killaktoros

É doce foder. Quem nega? Mas quando é

por dinheiro, ganha mais amargor que o eléboro fétido.


Original: Killaktoros

Trad.: Daniel

15.2.09

ex.post.

.ve(m/n).to.da.luz.

.pre.ce.de.cor.

.si(m/n).to.mas.

.a.mor.te.ras.ga.

.a.fe.ri.da.se.ca.

3.2.09

vai

vai. vai lá. vai ter suas experiências... todas aquelas que suas engrenagens e módulos resolveram que eu impediria você de ter. vai lá, já que eu tenho que me separar da tua mãe, como pai que sou, e fugir prá longe. vai e espatifa o mundo nos teus ombros prá poder comer uns pedacinhos de terra aqui outros de mar ali: não esquece aquela ilhazinha ali, não, hein. não se preocupe não, já que não vai ter ninguém olhando. nenhuma mão protetora. nenhum olho pré-fabricado de deus.

2.2.09

esquizodermia

Aos poucos, rastejo desta pele velha prá fora
Queratina que ainda protege parte
das linhas enrijecidas quebradiças
Aos poucos o óleo novo faz deslizar as escamas secas
desdobramento de milênios membranas meninges

10.1.09

Prece

Fodam-se todos sem exceção. Ricos e Pobres, Cuzões e Corajosos. Fodam-se todos. S. Lee já fez o discurso, reitero. Foda-se deus e foda-se o demônio. Fodam-se os teus problemas e fodam-se os meus. Fodam-se os conhecimentos perfeitos e foda-se a ignorância. Fodam-se o amor, a indiferença e o ódio. À merda com a arte.

8.1.09

Neuroses

Quando mamãe me pariu, engoli muito ar. O ar virou brisa nos pulmões, ventania na garganta e tornado no cérebro. Daí veio um homem com cara de sabido e deu nome para os meus ventos:
1. transtorno fóbico-ansioso: agorafobia, fobia social e fobia específica
2. transtorno ansioso
3. transtorno histriônico: transtorno somatoforme, transtorno dissociativos
4. transtorno do espectro obsessivo-compuslsivo: transtorno obsessivo-compulsivo, transtorno dismórfico corporal, transtornos alimentares, outros transtorno do controle dos impulsos

mas eu queria mesmo que eles se chamassem: Eúrus, Zéphiros, Boréas e Nótos, ou, mais carinhosamente, Ru, Zepa, Borão e Tosa.

5.1.09

!

É preciso fazer tumulto. Tomar não-medidas do tamanho real desse fluxo de sangue sem pólos. Exige tal rendição de todas as obrigações sorvidas por qualquer sim costumeiro. Qual oportunidade? corte. escurece. reabre pelas axilas levemente ásperas dos braços estendidos para trás no corpo largado. Fetiche das dobras e seus pontos de suor. Sinais expostos de pulsão. corte. É preciso fazer tumulto.