14.12.08

quem, sendo criança, não brincaria com seus poderes recém descobertos até eles se perderem em novos?
espremeu tanto, na palma enraivecida respinga ainda a água de esquecer.

11.12.08

Tiro as roupas de meu personagem me visto de Édipo e te fodo na espera que a consciência cega assim permaneça. Agulhas de broche por segurança. Jogo laico opiado nas veias do teu mundo.
borra e escorre, esfrega e molha
destoa
rasga e deixa que goteje
até a palidez

5.12.08


Inaladas as chamas nos deitamos
Esperando prostrados um sinal.
Um qualquer, mesmo um barulho
Ou então uma nesga de fumaça
Que nos dê esta ilusão, coisa perfeita,
De lugar sem validade alterada
E sem braços assim não há mais tempo.
Consumiu todo o fogo?
Sim, tem mais?
Combustível, calor e comburente
Papel, ela e oxigênio
Cardápio simples de uma só escolha
Já escolheu?
Os olhos destronados pelo tempo.

Quadro: Jackson Pollock

The Flame

25.11.08

Perda


Eu era carne e agora, pedra; uma imagem boa
esculpida pelas grossas tintas azuis de outro corpo
e lá deixada prá ser paisagem de parada.
Pedra de dormir. Sim! tira um pedacinho e leva no bolso.



Imagem: Daniel

21.11.08

...


Posso destruir tua casa? Cortar teus fios e espalhar teus segredos? Posso quebrar teus quadros e rasgar os papéis? Posso? Devastar tuas ervas e rescindir contratos? Dissolver mãos e invalidar decisões? Extinguir, eliminar, suprimir o anseio?

Em quais sanhas se arrasam o objeto? Seguro ou engatilho? Espero a chuva de pedras afiadas para fincar pé, de braços abertos e cabeça erguida. De fundo a música. Na frente, o mar. violento inconsciente carnes alcoolizadas esfregando seus mil membros.




Quadro: Yves Klein

chavão


pus meu coração
num anzol como isca

e dei linha pra lá da vista

...
a armação falhou e
deixou devorado
meu coraçãozão.




Quadro: Paul Nash (1889-1946)
We are building a new world

15.11.08

! já não sei...



.. nem ao menos o nome. memória de futuros não-momentos, evento soprado; embotado sim e tragado em papel velho, esse rosto encharcado. Nem ao menos o nome. unhas e pelos abatidos desastrosamente onde haveria palidez. saliva urina sangue. qualquer umidade que não me retorcesse em secura.


Foto: Victoria Ryan

11.11.08

nome

Brotam gomos vermelhos, voláteis e densos. Instáveis, evaporam à temperatura ambiente. Ainda não se conhecem as funções que realizam. São altamente tóxicos, mesmo em pequenas doses podem causar ulcerações dérmicas ou, se inalados, coma ou catarse espasmódica.

10.11.08

bull's eye

A percepção da diminuição à real dimensão de si mesmo. Ruptura sem cor, rápida demais para ter a sensação dela mesma. As coisas todas continuam no mesmo lugar. Nenhum processo parou. Não fora, nem dentro. Mas, a suspensão em primeira pessoa num pontinho certeiro, num periodozinho sem continuidade.

7.11.08

maçãs


ENGOLINDO-SE

DEPOIS DE MASTIGAR-SE

SOBERBAMENTE

A DOR

HIPÓCRITA

FINGE TER PARADO

2.11.08

Blefe


Sou todos estes nós
Irresponsavelmente
Mal apartados
Uma falha preguiçosa
Na segurança.
Desatando sem som
Sou todos estes nós.

31.10.08

esferas


me empunha
ponto a ponto
passa através
do ingresso
trans-regrida
esferas púrpuras
me excede




Quadro: Lisa Yuskavage

29.10.08


...tudo
que ainda dentro
tinha de mim
arranquei
e te dei
tudo fincou no chão
espantalho
alguns perdidos
e o resto
já não
sei
colher...

Foto: Robert & Shana ParkeHarrison

25.10.08


TER
ADORADO
A DOR
CLARA
O
ABOR
TO
DO
AMOR
TO
DO
DADO
À TOA


Pintura: Edvard Munch

21.10.08

DADÁ - Elogio da madrasta


MOVIMENTOS ESCRAVOS ENVOLVENDO-NOS REVELAVAM
UMA ELEGANTE INDIFERENÇA; ATRAENTE
SUÁVAMOS JUVENTUDE

DECIFRAVA SEU OLHAR SANGRENTO NUM IDIOMA ABJETO
ASSIM, ENTRE GESTOS E SEGUNDOS INCLINOU
EXTRAORDINÁRIA.
HAVIA NOS MEMBROS DE MULHER, ALTIVEZ
QUERÍAMOS MARCADO CICATRIZES DE MEIO INSTANTE
GANHAR ROSTO MÃOS PELE
NÃO POR ATITUDES QUE NÃO SE ENTENDIAM. MAS
POR SERVILISMO
FOMOS DONOS ONDE NOSSO JARDIM DE ÉBANO
REJUVENESCIA

...NELA NENHUM SINAL FREQUENTE;
TUDO TÃO FUNDO BRILHAVA...


Quadro: Jean Arp

19.10.08

Acalanto



Dorme, Menina
Que A Noite É Longa
E A Vida é Louca.


Dorme Que Eu Canto

Num Fio De Voz


Esse Acalanto.

Sossega A Vida


Que A Noite É Fria

E O Sonho, Não.

13.10.08

ab initio

Você descerá as escadas e tropeçará em nada já que o caminho amarrotado de hoje te levará de olhos fechados e em altos monólogos até a cozinha, uma flor da primeira ou da segunda guerra te fará um parêntesis, mas ao fim gargalhadas em delay de dois copos inconscientes – puro costume – descreverão o que realmente não estará lá.

6.10.08

mesma

............................2x...
sobre.........................a
..............mesa.............
a..........................coisa

3.10.08

Não

Não. Não é natural a curva que faz. não transcende nem transforma, mas não está certo. nada estabelece e nem é instância concreta nenhuma. inclina-se e vai.

28.9.08


saltos intransitivos nem entendem um objeto. em momento de bidimensão não há túnel para ter luz no final.

17.9.08

28.8.08

Me ponho

Entre extremos

Em pequenos

Absurdos.

(quero um grande aperto

para que não nos esqueçamos

nunca da pressão)

É daí que eu

Imito Maiakóvsky e recolho

Todos que eu amo e amei. Mudos.

Eu os guardo por dentro.

20.8.08

Durante anos aperfeiçoando

Tais distorções emocionais.

...

Praticando elevadas técnicas

Lentas de amor e repulsa.

...

Esquecendo num novelo

Desejos de fios sem fim.

14.8.08

Chavão #2

Triste menina, procurava

O fim

Da monotonia de seu corpo

Zombava de seus sentimentos,

Assim não precisava vê-los

E quando não havia espelhos

Escondia o rosto nas mãos

Procurando um sonho perdido.
...
vai lá... mais um sapo indigesto pro intestino suportar...

... já tô até gostando do sabor!
...
...
Heráclito ou parmênides? epicurismo ou estoicismo? all-star ou adidas?
...

13.8.08

10.8.08

Vocês não ouvem os assustadores gritos ao nosso redor que habitualmente chamamos de silêncio?

(Prólogo do Filme O Enigma de Kaspar Hauser de Herzog, 1974)

SCHEDULE

Let the body exude all those strange

Liquid words.

Let me exhume your ancient splashed

Dream. And bid your soul chant and old

Meaningless childish song…

…For life is used to crumbling

Sometimes.

O grande problema da

Felicidade – você deve saber...

É ela ser um teco de dor.

Uma dorzinha suicida...

Talvez parecida com o medo.

5.7.08

dalet

Em certos lugares

As trevas ainda cobrem

A face do abismo

Eu, recém cegado,

Corro para lá.

Como é de costume

O último passo

É dado

No vazio

Caio.

Lento.

Você não me completa. Ninguém.

O chão não importa. Nunca os pés nele mesmo

abandona

Faço minha pequena revolução

Giro no ar numa revolta tranqüila

Recém chegado ao escuro

Vejo as coisas mais claras.

“É noite. E tudo é noite. E o meu coração devastado” despenca no rio oleoso

De M. Andrade

Lá embaixo

Bum!

28.6.08

eu#1

Eu gosto dessa brincadeira

Vertiginosa

Involuntariamente

Destrutiva

E infantil

Infalível.

16.6.08

Pré-se

BENDITO SEJA O SANGUE
QUE EM MIM NÃO CICATRIZA
MAIS BENDITA AINDA SEJA
MINHA INSTABILIDADE
E
TUA HABILIDADE
EM RETALHAR MEU PEITO
IMENSAMENTE IMÓVEL
EU
COSTURADO À PAREDE
NÃO OUSO DIZER NADA
QUE SEJA AFIRMATIVO

NÃO ME ATREVO A FALAR

11.6.08

NADADENOVO

Por você um sentimento

De barata!!

Só morre se for esmagado

Com vontade.

Não adianta mudar o inseticida,

Invocar Beel-Marduk, Zeus, Olorum,

Jeová

Ou

Qualquer outro

Por você um sentimento

Vermelho veloz

Difícil de ser lido;

Um sentimento

De gosmas brancas

Explodindo pelos cantos

Um que só morre ao

Ser

Esmagado.

Desaforo

DESAFORO

Passou como guerra
E teve coragem
De me deixar vivo