As não-resoluções pendem úmidas em meu longo varal. Não há sol que as seque, nem chuva que as molhe demais. As não-atitudes se esparramam por baixo, garantido que tudo permaneça encharcado. As gotas lentas se estouram no chão para que ele continue irritantemente escorregadio. Não que seja fácil. O cenário é parte de um esforço ou estorvo diário. Afinal a auto-sabotagem depende de uma manutenção meticulosa. Sabotar, danificar, prejudicar, frustrar, lesar, atrapalhar, perturbar, e assim por diante... São ações cheias de obstáculos e tal e outras coisas não tão bonitas. Enfim, a prática faz a perfeição. Sigamos e etc.
Criávamos mundos em águas rasas. Murados em círculos de gravetos, ornados com folhas secas. Sendo hierofanias, não agiríamos diferente. Não poderíamos. Então criávamos mentes em águas profundas. Muradas em malhas grossas, torcidas em camadas. Depois conversamos... Ou então conversamos antes, já que a direção do tempo não faz sentido, nem mesmo o espaço em que os mundos são formados. Ou, na verdade, nem conversávamos porque aparições não têm voz e as criações eram aventuras abstratas. Inextensões de cosia alguma e nada mais. Mente nenhuma.
Exceto as obsessões e as patologias, o amor é uma escolha construído pela cadeia de outras escolhas e percepções passadas e exercida hoje. É uma construção subjetiva a respeito do outro e uma espera de que o outro também construa. Não é a espera de uma aparição mágica que fará o corpo tremer em febre.
Nada continua a acontecer – incessantemente – e um insuportável ar sensual convence as velas a se apagarem, desobstruindo a pequena clareira de escuridão em que os sorrisos ironizam-se uns aos outros. Negrume úmido e perfumado: simultâneo ponto de partida e de chegada.