10.8.10

Muros e folhas

Criávamos mundos em águas rasas. Murados em círculos de gravetos, ornados com folhas secas. Sendo hierofanias, não agiríamos diferente. Não poderíamos. Então criávamos mentes em águas profundas. Muradas em malhas grossas, torcidas em camadas. Depois conversamos... Ou então conversamos antes, já que a direção do tempo não faz sentido, nem mesmo o espaço em que os mundos são formados. Ou, na verdade, nem conversávamos porque aparições não têm voz e as criações eram aventuras abstratas. Inextensões de cosia alguma e nada mais. Mente nenhuma.

27.7.10

Psicopop

Exceto as obsessões e as patologias, o amor é uma escolha construído pela cadeia de outras escolhas e percepções passadas e exercida hoje. É uma construção subjetiva a respeito do outro e uma espera de que o outro também construa. Não é a espera de uma aparição mágica que fará o corpo tremer em febre.

25.7.10

AMOR

Nada continua a acontecer – incessantemente – e um insuportável ar sensual convence as velas a se apagarem, desobstruindo a pequena clareira de escuridão em que os sorrisos ironizam-se uns aos outros. Negrume úmido e perfumado: simultâneo ponto de partida e de chegada.

14.7.10

Ouça:
Você, todo esse bagulho bioquímico sacolejado
Dando lhufas pro resto do mundo
Já que não entende.
Cacarecos de carbono esparramados
Numa minusculeza de tempo
Tentando domar deuses
No seu teco de universo


Veja bem: tudo isso e não dá a mínima.
Algo não cheira bem aqui. Tá sentindo?