9.11.10

Eu tenho pensado em cerejas e gatos..

Todos dizem:
muito além de cute, que eu seja cult, nem que só prá você.
(mãos na cabeça e olhos arregalados)
muito além do cult, que eu seja cute, nem que só prá você.
(dança assim e não mostra )
Ela diz:
desconjunta isso, nem que só prá mim.
(lábios transversais e corpo quase solto)
Eu tenho pensado em cerejas e gatos...

8.11.10

hoje

Só me faço ou desfaço
Esqueci da violência
Agora é onda quase plana
Arquivada

5.11.10

conforto


Quem sem gravidade sentirá? Quem sem peso sentiu?
Quem sem pulso?
Só nós, atingidos sem pressa pela mudança das eras.
Só nós em nosso grão apertado pela transformação
Nosso tempo tão só nosso e fugitivo.
Quem sem gravidade sentirá? Quem sem peso sentiu?
Quem sem pulso?

9.9.10

Lembro

Fui escolhido.
Ela mija seu mijo quente e branco,
Ela menstrua seu vermelho filosófico,
Ela sua sua transparência salgada,
E chora frente ao espelho o canto ecoado.
Ri minha
De si de mim numa linha de saudades nos costuramos
À algo.

4.9.10

A prática faz a perfeição

As não-resoluções pendem úmidas em meu longo varal. Não há sol que as seque, nem chuva que as molhe demais. As não-atitudes se esparramam por baixo, garantido que tudo permaneça encharcado. As gotas lentas se estouram no chão para que ele continue irritantemente escorregadio. Não que seja fácil. O cenário é parte de um esforço ou estorvo diário. Afinal a auto-sabotagem depende de uma manutenção meticulosa. Sabotar, danificar, prejudicar, frustrar, lesar, atrapalhar, perturbar, e assim por diante... São ações cheias de obstáculos e tal e outras coisas não tão bonitas. Enfim, a prática faz a perfeição. Sigamos e etc.

10.8.10

Muros e folhas

Criávamos mundos em águas rasas. Murados em círculos de gravetos, ornados com folhas secas. Sendo hierofanias, não agiríamos diferente. Não poderíamos. Então criávamos mentes em águas profundas. Muradas em malhas grossas, torcidas em camadas. Depois conversamos... Ou então conversamos antes, já que a direção do tempo não faz sentido, nem mesmo o espaço em que os mundos são formados. Ou, na verdade, nem conversávamos porque aparições não têm voz e as criações eram aventuras abstratas. Inextensões de cosia alguma e nada mais. Mente nenhuma.